Wednesday, July 05, 2006

TRAJETÓRIAS

Na história de vida de uma criança a escola pode constituir-se
em uma particular trajetória de conquistas ou derrotas.
A vitória é particular mas os louros pertence a todos.
A derrota é de todos, infelizmente seu saldo é particular.
(Marilene Bernardes)

MINHA HISTÓRIA NA ESCOLA

Identificação: Marilene de Borba Rosa Bernardes

Parcerias: Luci Vargas Goudard




Justificativa:
Trabalhamos há três anos com alunos com dificuldades de aprendizagem ou baixo desempenho. Normalmente estas crianças sentem-se menos competentes que seus pares.
Ao considerarmos a influência que a auto-estima tem no processo de crescimento individual optamos por desenvolver um trabalho que consideramos significativo tanto para nós como para elas.
Por conseguinte decidimos realizar um vídeo que privilegie a história destas crianças em nossa escola. Suas trajetórias desde da 1ª série, suas vitórias traduzidas no desenvolvimento de competências como linguagem escrita e raciocínio lógico-matemático que para alguns foram mais fáceis de alcançar e que para outros, ainda tem demandado esforços e muita dedicação.
Para tanto, vamos realizar uma série de entrevistas direcionadas que oportunizem a elas contarem suas histórias, como se sentiram diante da necessidade de participar do apoio pedagógico e o que isto significou em suas vidas.

Objetivos:



  • Documentar o trabalho realizado no Apoio Pedagógico;
  • Comprovar os bons resultados de um trabalho sistemático;
  • Demonstrar que cianças com DA e BD podem superar, sem histórico de reprovação, suas dificuldades iniciais na aquisição da linguagem escrita e raciocínio lógico-matemático;
  • Registrar, com a fala da criança as possibilidades de nos recriarmos enquanto educadores dando ao apoio pedagógico uma identidade viva e como é próprio de tudo o que vive estar em constante crescimento.

Atividades:

  • Apresentar o projeto às crianças;
  • Preparar a entrevista com as perguntas que serão realizadas às crianças;
  • Preparar a entrevista com as perguntas que as crianças irão nos fazer;
  • Promover um momento de rever as entrevistas para garnatir que estas contem a nossa história;
  • Realizar as gravações;
  • Rever e editar.

Avaliação:

O procedimento para avaliação do trabalho constará de três etapas:

  • Apresentação das gravações para o grupo que o realizou, neste caso os alunos do apoio pedagógico e registrar no portifólio suas impressões;
  • Apresentação das gravações para os professores da escola e solicitar avaliação escrita dos professores regentes dos alunos do apoio pedagógico;
  • Quanto a atuação dos alunos, nós professores do apoio iremos avaliar o desempenho individual de cada um, desde a elaboração das entrevistas até a expressividade oral.

Cronograma:

  • 01 a 04/08: Apresentar o projeto às crianças;
  • 07 a 11/08: Preparar as entrevistas juntamente com o grupo;
  • 14 a 18/08: Rever com o grupo as entrevistas;
  • 21 a 25/08: Realizar as gravações;
  • 28 a 31/08: Rever e editar.

Monday, July 03, 2006

INTEGRAÇÃO DE TV E VÍDEO NO CURRÍCULO ESCOLAR


Segundo Moran, “as linguagens da TV e do vídeo respondem à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. O jovem lê o que pode visualizar, precisa ver para compreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lê, vendo.”
É indiscutível a crescente influência da televisão nos modos de ser e viver de cada indivíduo. Essa influência que apesar de ser individual vai interferir sobremaneira na forma de se colocar na coletividade, modificando irremediavelmente comportamentos sociais através da formação de opiniões particulares que se projetam para o domínio público, dita regras e se institui como modelo.
Inserir um trabalho sistematizado integrado a rotina pedagógica de recursos audiovisuais pode promover o desenvolvimento cognitivo, social e emocional do alunado, na medida em que estes utilizam múltiplas linguagens para atrair atenção, mexer com o imaginário, construir sensações.
Porém, um trabalho neste sentido exige do professor um planejamento rigoroso, com enfoques bastante claros tanto para ele como para seus alunos. Se assim não for, poderemos cair na armadilha do rotineiro, do usual e do modismo – faço porque faço – porque ele faz, todo mundo faz.
A critica fundamentada e direcionada para a busca de soluções com influências na coletividade ajudará nossos alunos a tornarem-se receptores dos programas televisivos distanciando-se de forma competente a fim de não permitir que veiculações negativas ditem comportamentos, produzam sentimentos de fracasso e impotência.
A consciência da importância deste trabalho torna-se claro na medida em que nos dispomos a analisar criticamente as informações/distorções apresentadas na maioria dos telejornais; os acenos de prazer/consumo/sucesso pessoal produzido pelas propagandas, principalmente de moda e beleza como sinônimos de saúde; programas humorísticos que buscam tornar tudo que é sério em motivo de risos, ridicularizando políticos assemelhando-os mais a palhaços do que legítimos representantes do povo, distorção da realidade perniciosa na medida em que torna banal a corrupção política, as fraquezas do poder judiciário e a impotência do poder executivo.
Como já registrei anteriormente, considero em acordo com muitos estudiosos das influências da multimídia na organização social atual, que a escola não pode mais ignora-las, colocando-se mais uma vez na contramão dos anseios e desejos de seu alunado. Entretanto, nós professores temos que nos dispor a nos recriarmos como educadores ressignificando nossas práticas pedagógicas e nos posicionarmos definitivamente como formadores de opiniões, comportamentos e modos de ser e estar no mundo de nossos alunos.

A IMAGEM VIDEOGRÁFICA A SERVIÇO DA EDUCAÇÀO

Infelizmente os programas de maior audiência na Tv são aqueles de cunho apelativo e com caráter sensacionalista. A exemplo disto temos – Domingão do Faustão, Domingo Legal, Casos de Família, alguns telejornais entre outros.
Os artifícios televisivos utilizados para prender a atenção do público colocam estes programas na classificação dos deseducativos na medida em que exploram a ingenuidade e os desejos do telespectador para ditar formas de ser e conviver.
Desta forma se considerarmos os artifícios utilizados nos programas de maior audiência pode-se concluir que à maioria deles não atendem aos interesses do cidadão.
Analisando a forma como são apresentadas nos telejornais notícias de peso para informar e formar a opinião do cidadão, observa-se uma clara manipulação cujo objetivo é confundir e criar um sentimento de impotência.
Quanto a polêmica criada em torno da valorização do texto escrito como argumento para contrapor-se ao uso da televisão no contexto escolar está mais na ordem da função que se acredita que este tenha. Na escola o texto escrito sempre teve função de informar e avaliar. Lê-se para informar-se e produzir como conseqüência algum tipo de escrita que demonstre o aprendido ou não.
O texto escrito é resultado da leitura de mundo de quem o escreve. Podendo ser a finalização de um trabalho; a resenha de um filme; a análise de informações entre tantos outros formatos.
Neste sentido incorporar a televisão à prática pedagógica poderá abrir um leque bastante significativo de novas leituras de mundo e conseqüentemente novas produções textuais, além do que contribuirá para que o trabalho com textos escritos seja visto numa perspectiva de construção e consolidação de conhecimentos e não mais como instrumento de informar e avaliar.


Quadro de Classificação dos Programas de Televisão


  • Educativo com finalidade explicita de educar
    Globo Rural
    Globo Repórter
    Castelo Ratimbum
    Globo Ecologia

  • Educativo sem finalidade explícita de educar
    Malhação
    Sítio do Pica-Pau Amarelo
    Bom Dia & Cia
    Fantástico

  • Não educativo
    Zorra Total
    A Praça é Nossa
    Comando Maluco
    Chaves
    A Grande Família

  • Deseducativo
    Domingão do Faustão
    Domingo Legal
    Casos de Família
    Pânico

Análise dos Programas de TV



“É função dos pais e dos professores usarem a televisão para mostrar para as crianças quais as opções de escolha são corretas e quais são erradas entre tantas veiculadas na TV. A leitura crítica, como uma forma de questionamento sobre aquilo que está sendo informado pela televisão, é importante e necessária. A criança discute consigo mesma ao ver TV do mesmo modo que fala consigo mesma ao brincar. Esse discurso egocêntrico infantil é o seu modo de dialogar quando vê televisão. Já é hora desse diálogo ser feito em casa, na escola e em sala de aula”.

Eliana Gomes Pereira Pougy é bacharel em comunicação social pela FAAP e é autora da coleção Criança e Arte - descobrindo as artes visuais - da editora Ática.

Estando de acordo com a citação acima, considero justa a proposta de desenvolver um trabalho pedagógico que considere o uso da TV e a análise de vários programas com o intuito de discutir com as crianças os valores que estão subjacentes às informações veiculadas.
Considero também importante atentar para a forma como foram organizados os dias e horários de programas com a intenção de informar e agregar valores:

Sábados entre 5:40 e 8:00h: Educativo (Barriga Verde); Ação, Globo Ciência, Globo Ecologia (RBS); Educativo (Rede SC);
Durante a semana programas como Globo Rural, todos os dias às 6:15; e outros como Globo Repórter, exibido as sextas-feiras após as 22:00 horas.

Percebe-se que embora haja a intenção os horários e dias programados não favorecem que nossas crianças e jovens assistam.

A programação infantil – desenhos animados e programas voltados para a criança – TV Xuxa, Bom Dia & Cia, Sítio do Pica-pau Amarelo são veiculados preferencialmente no período matutino, enquanto que no período vespertino não há uma definição clara de qual público se pretende atingir. Programas como Vídeo Show, Vale a pena Ver de Novo, Sessão da Tarde, Chaves, Casos de Família, novela entre outros, não tem conteúdo definido, podendo ora atingir o interesse de adultos, ora o interesse de crianças.

Falando agora especificamente sobre a programação aos domingos, onde a maioria dos familiares senta-se junto para assistir, os programas de maior audiência são Domingão do Faustão (Globo) e Domingo Legal (SBT). Nestes percebe-se algumas similaridades que devem ser analisadas com um olhar crítico – todos os dois utilizam a imagem feminina de forma sexualmente apelativa; as mazelas do povo de forma desrespeitosa e sensacionalista; supervalorizam “celebridades” e ditam formas de ser e conviver.

Monday, June 26, 2006

TV e Vídeo ...Instrumentos de aprendizagem

A utilização de recursos como tv e vídeo podem agregar valor ao processo educativo por suas possibilidades de interação entre o aluno e objeto de conhecimento.
Na medida em que o professor dominar seu uso ele poderá não só enriquecer suas aulas, como propor novas formas de ensinar e de aprender conteúdos escolares utilizando-se dos programas televisivos.
Um bom documentário é mais atraente que um texto informativo mimiografado; um desenho animado, seus super heróis e seus arque - inimigos podem ser ponto de partida para discussões bastante interessantes sobre condutas éticas.
Oportunizar ao aluno a compreensão da influência das tecnologias mais avançadas em nosso modo de ser e viver está se tornando cada vez mais uma obrigação a qual a escola não pode mais se furtar.

Thursday, May 18, 2006





"É preciso pensar educação com liberdade de construir sonhos apesar da dura realidade que enfrentamos.
Alçar vôos em busca de educação de qualidade para todos e mergulhar profundo no significado das limitações que nos são impostas.
Indignar-se com a solidão daqueles que são obrigados a ficar no meio do caminho, porque necessitamos caminhar juntos.
Entendermos que caminhar juntos, não é caminhar igual, mas que passos diferentes podem marcar a mesma estrada".

(Marilene Bernardes)

Educador X Usuário

O avanço tecnológico, embora tenha se tornado um ícone de desenvolvimento nas últimas décadas e nós tenhamos na medida do possível nos tornado usuários, seja porque assim escolhemos ou porque nos foi imposto, por si só não nos habilitou ao entendimento do significado da expressão Sociedade Tecnológica.
Embora esta expressão venha sendo mencionada cada vez mais nos últimos tempos para referir-se a uma nova forma de organização da vida humana a reflexão sobre esse novo paradigma demanda bem mais do que simplesmente fazermos uso de produtos. Requer a análise de como esses produtos interferem em nossas vidas cotidianas e principalmente como eles interferem nas organizações sociais provocando o progresso ao mesmo tempo em que acentua as diferença causando novas formas de exclusão.
Neste contexto a escola enquanto instituição educacional precisa urgentemente colocar-se criticamente em relação às formas e usos destes novos recursos. Recursos como TV e vídeo já fazem parte de nossas rotinas, tanto particulares como profissionais, porém é bem verdade que por muito tempo foram ignorados pela escola ou utilizados mais com caráter de lazer do que meios que possibilitariam a construção de novos conhecimentos de forma mais dinâmica e atrativa ao aluno.
Lembro-me que há mais ou menos dezessete anos quando iniciei minha atuação como professora, uma discussão bastante forte era sobre o uso e as possibilidades de se trabalhar com TV e vídeo num sentido bastante crítico dos programas televisivos e sua influência na formação de nossos alunos. É interessante perceber que essas discussões não trouxeram como resultado o lugar comum que estes aparelhos deveriam ocupar no cotidiano de nossas escolas.
Reportando-me a estas lembranças concluo que nós como profissionais da educação já sabemos de há muito que os programas televisivos exigem uma leitura interpretativa que passe pela crítica conscientemente construída sobre suas influências, sejam positivas ou negativas em nossos modos de viver. O que realmente nos falta é um distanciamento de nossa condição de usuários e uma profunda reflexão de nosso papel como educadores.
Enquanto usuários nos deixamos mansamente influenciar pelas propagandas que nos induzem ao consumo, pelas novelas que nos ocupam o tempo roubando-nos de outros afazeres, pelos programas de auditório que nos prendem a atenção de tal modo que tudo o mais se torna secundário. Mesmo as reportagens são assimiladas como verdades absolutas ou ao tratar-se de notícias de nossa organização política piadas para os fins de semana.
Daí talvez nossa dificuldade em nos posicionarmos como formadores de opinião que tem por objetivo tirar o educando da posição de usuário pacífico para um cidadão capaz de avaliar criticamente as mensagens recebidas através da mídia televisiva.
Mas não podemos nos furtar a esta realidade e assim nos alerta Vicentino:

“Há muito que o Brasil precisa enfrentar e buscar resolver suas grandes questões sociais, urbanas e rurais. Certamente, o efetivo encaminhamento de soluções estruturais passa pela via da organização e atuação da sociedade civil, pela ampliação da cidadania e pela busca de uma crescente excelência educacional, fatores que dependem de todos nós”.(1998; 162).

Friday, April 28, 2006

CHAMADA PARA REFLEXÃO

"Precisamos de uma crise
Estamos diante de dois grandes problemas: convencer os brasileiros de que nossa educação é péssima e, então entender como melhora-la.”
Cláudio de Moura e Castro
Veja-26/Abril de 2006

Embora no dia-a-dia das salas de aula tenha-se a impressão de que tudo vai bem, o fato é que todos os anos os alunos brasileiros têm se saído muito mal em avaliações de desempenho externas.
Nas avaliações internas os índices são aterradores, 55% dos alunos da quarta série são praticamente analfabetos (Sistema Nacional de Avaliação). 74% dos brasileiros adultos são analfabetos funcionais (Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional).

“É importante dar um novo foco às decisões educacionais, acabando com a divisão entre os que pensam e os que fazem a educação no Brasil”
Tânia Zagury – Educadora
Veja –05/Abril de 2006
Pesquisa realizada com 1172 professores de redes públicas e particulares de ensino de 42 cidades de 22 estados pela educadora Tânia Zagury.

Vale a pena dar uma boa lida nestas duas reportagens, porque são os dois lados de uma mesma moeda – a responsabilidade do professor nos resultados obtidos nestas avaliações.

Thursday, April 27, 2006

SER PROFESSOR É...

Ser professor é ser menos do que se esperava e mais do que se pretendia. Esperava-se ser socialmente reconhecido, politicamente valorizado, economicamente estável.
Pretendia-se trabalhar com letras e números, quadro de giz e diários, carteiras e alunos.
Porém ser professor é essencialmente trabalhar com pessoas. Pessoas –crianças.
Quando a criança vem à escola pela primeira vez e lhe perguntam por que – ela, cheia de si, confiante, responde – para aprender a ler e a escrever. E é neste momento que o professor descobre que precisará ser mais do que um ditador de páginas de livro didático para o aluno resolver como tarefa; precisará mais do que um quadro de giz para passar a matéria e um caneta vermelha para corrigir os erros; mais do que um diário para registrar as ocorrências do dia; ele descobre, que precisará ser mais do que pretendia.
Ser professor é então uma incógnita que se revela na sala de aula, no olhar de seu aluno – quando este brilha, ele é brilhante; quando se torna opaco ele é sem luz.

Tuesday, April 25, 2006